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H i s t
ó r i a d o C i n e m a
Desde o inicio dos tempos, o homem sempre
desejou reproduzir o movimento. A prova disso são os desenhos encontrados nas
cavernas de Altamira na Espanha onde um bisão desenhado a 12 mil anos apresenta
8 patas como se o autor tentasse decompor o movimento.

A
lanterna mágica projetor de imagens fixas, um dos jogos óticos
precursores do cinema.
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Fazendo um resumo dos
precursores do cinema podemos citar:
Na China 5.000 anos antes
de Cristo - as sombras chinesas que não passavam de silhuetas projetadas
numa parede ou tela.
No século XVIII a
lanterna mágica do alemão Athanasius Kircher composta de uma caixa, uma
fonte de luz e lentes que enviavam imagem para uma tela.
No século XIX os
franceses inventaram a fotografia.
Em 1833, o britânico W. G. Horner idealizou o zootrópio, jogo baseado na
sucessão circular de imagens. Em 1877, o francês Émile Reynaud criou o teatro
óptico, combinação de lanterna mágica e espelhos para projetar filmes de
desenhos numa tela. Já então Eadweard Muybridge, nos Estados Unidos,
experimentava o zoopraxinoscópio, decompondo em fotogramas corridas de cavalos.
Por fim, outro americano, o prolífico inventor Thomas Alva Edison, desenvolvia,
com o auxílio do escocês William Kennedy Dickson, o filme de celulóide e um
aparelho para a visão individual de filmes chamado cinetoscópio.

A projeção de filmes no começo do cinema: o cinematógrafo de Luis Lumière
numa mesa, diante de uma lanterna.
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Foi na França, na época
em que os pintores impressionistas decompõem o movimento e a luz, que nasceu o cinematógrafo.

A
chegada de um trem na estação. Um dos primeiros filmes dos irmãos Lumiére.
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Embora seja a França
o país que reivindica para si a descoberta do cinema, com a invenção do
cinematógrafo pelos irmãos Luis e Augusto Lumière, não se pode dizer que
esta invenção aconteceu isoladamente. Em outros países, várias experiências
também estavam sendo realizadas.
Os irmãos Louis e Auguste Lumière, franceses, conseguiram projetar imagens
ampliadas numa tela graças ao cinematógrafo, invento equipado com um mecanismo
de arrasto para a película. Na apresentação pública de 28 de dezembro de
1895 no Grand Café do boulevard des Capucines, em Paris, o público viu, pela
primeira vez, filmes como La Sortie des ouvriers de l'usine Lumière (A saída
dos operários da fábrica Lumière) e L'Arrivée d'un train en gare (Chegada de
um trem à estação), breves testemunhos da vida cotidiana.

Em 1872 o fotógrafo inglês Muybridge registrou posições de um cavalo a
galope.
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Em 1872, um milionário
americano fez uma aposta. Ele garantiu que, quando o cavalo galopa, há um
momento em que este fica com as 4 patas no ar. O fotógrafo inglês
Muybridge decidiu fazer a demonstração. Colocou lado a lado 24 câmeras
fotográficas presas por fios que, ao serem tocados pelas patas do cavalo,
acionam as máquinas tirando 24 fotos que registram todos os movimentos do
galope. Ele provou assim que, de fato, há um momento em que as 4 patas não
tocam o chão. Sem o saber, ele dava um passo fundamental para o nascimento
do cinema.

Para anunciar seu filme Viagem à Lua, Georges Méliès desenhou cartazes com
a Lua atingida pelo foguete espacial.
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Os filmes dos irmãos
Lumière eram de curta duração (um minuto) e não contavam uma história. Apenas
registravam cenas da vida cotidiana: a chegada de um trem na estação, a saída
de operários da fábrica, a queda de um muro, um bebê sendo alimentado, etc.
Para os irmãos Lumière, o cinematógrafo era apenas "uma invenção sem
futuro". Mas o francês Georges Méliès não pensava assim e comprou
um cinematógrafo, a máquina de filmar. Como Méliès era mágico e
diretor de teatro, conseguiu dar uma expressão dramática a setis filmes usando
atores, cenários e figurinos. Seu filme Viagem à Lua, de 1902, é
considerado a primeira ficção científica do cinema. Dura 13 minutos e é
inspirado nos romances de Julio Verne.
Hollywood
Em 1896, o cinema substituía o
cinetoscópio e filmes curtos de dançarinas, atores de vaudeville, desfiles e
trens encheram as telas americanas. Surgiram as produções pioneiras de Edison
e das companhias Biograph e Vitagraph.
Edison, ambicionando dominar o mercado,
travou com seus concorrentes uma disputa por patentes industriais.
Em 1903, o americano Edwin S. Porter fez um filme que acabou com as formas
teatrais do cinema: O grande roubo de trem é considerado o
primeiro bang-bang da história do cinema. Porter consegue descobrir
o ritmo cinematográfico, mostrando várias ações simultâneas.
Mas foi outro americano, David Ward Griffith, que mais contribuiu, na época,
para a formação da linguagem cinematográfica. Dirigiu Intolerância
(1915), com mais de duas horas de duração. Os filmes até então eram
todos curtos. Enormes primeiros planos close, não somente de
rostos, mas de mãos e objetos, mostravam a preocupação de Griffith em dar uma
forma nova à narrativa, isto é, à maneira cinematográfica de contar história.
Se Edwin Porter descobriu o tempo, Griffith
colaborou para modificar o espaço.
Nessa época, o filme
era mudo. Não tinha som. Colocavam um pianista no palco para tocar,
dando mais emoção às cenas.
Em 1927, o cinema falado causou grandes modificações na linguagem do cinema, e
também alguns problemas: disfarçar o ruído do motor da câmera, afastar
alguns atores cujas vozes eram muito finas causando riso no público, etc.

Marcélia Cartaxo em
A hora da estrela de Suzana Amaral.
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No início, só se filmava à luz do dia. Depois descobriram recursos do
claro e escuro com a luz artificial. Por exemplo: o filme Nosferatu, o
Vampiro (1922), inspirado nos quadros do movimento expressionista, dá à
luz e à sombra um papel dramático. Novamente o cinema se inspira na
pintura.
Descobridor
de grandes talentos como as atrizes Mary Pickford e Lillian Gish, Griffith
inovou a linguagem cinematográfica com elementos como o flash-back, os grandes
planos e as ações paralelas, consagrados em The Birth of a Nation (1915; O
nascimento de uma nação) e Intolerance (1916), epopéias que conquistaram a
admiração do público e da crítica. Ao lado de Griffith é preciso destacar
Thomas H. Ince, outro grande inovador estético e diretor de filmes de faroeste
que já continham todos os tópicos do gênero num estilo épico e dramático.
Quando o negócio prosperou,
acirrou-se a luta entre as grandes produtoras e distribuidoras pelo controle do
mercado. Esse fato, aliado ao clima rigoroso da região atlântica, passou a
dificultar as filmagens e levou os industriais do cinema a instalarem seus estúdios
em Hollywood, um subúrbio de Los Angeles. Ali passaram a trabalhar grandes
produtores como William Fox, Jesse Lasky e Adolph Zukor, fundadores da Famous
Players, que, em 1927, converteu-se na Paramount Pictures, e Samuel Goldwyn.
As fábricas de sonho em que se
transformaram as corporações do cinema descobriam ou inventavam astros e
estrelas que garantiram o sucesso de suas produções, entre os quais nomes como
Gloria Swanson, Dustin Farnum, Mabel Normand, Theda Bara, Roscoe "Fatty"
Arbuckle (Chico Bóia) e Mary Pickford, que, em 1919, fundou, com Charles
Chaplin, Douglas Fairbanks e Griffith, a produtora United Artists.
O gênio do cinema silencioso foi o
inglês Charles Chaplin, que criou o inolvidável personagem de Carlitos, mescla
de humor, poesia, ternura e crítica social. The Kid (1921; O garoto), The Gold
Rush (1925; Em busca do ouro) e The Circus (1928; O circo) foram os seus filmes
longos mais célebres do período. Depois da primeira guerra mundial, Hollywood
superou em definitivo franceses, italianos, escandinavos e alemães,
consolidando sua indústria cinematográfica e tornando conhecidos em todo o
mundo comediantes como Buster Keaton ou Oliver Hardy e Stan Laurel ("O
gordo e o magro"), bem como galãs do porte de Rodolfo Valentino, Wallace
Reid e Richard Barthelmess e as atrizes Norma e Constance Talmadge, Ina Claire e
Alla Nazimova.
Em 1917 foi criada a UFA, potente produtora que encabeçou
a indústria cinematográfica alemã quando florescia o expressionismo na
pintura e no teatro que então se faziam no país. O expressionismo, corrente
estética que interpreta subjetivamente a realidade, recorre à distorção de
rostos e ambientes, aos temas sombrios e ao monumentalismo dos cenários.
Iniciara-se em 1914 com Der Golem (O autômato), de Paul Wegener, inspirado numa
lenda judaica, e culminou com Das Kabinet des Dr. Caligari (1919; O gabinete do
Dr. Caligari), de Robert Wiene, que influenciou artistas do mundo inteiro com
seu esteticismo delirante. Outras obras desse movimento foram Schatten (1923;
Sombras), de Arthur Robison, e o alucinante Das Wachsfigurenkabinett (1924; O
gabinete das figuras de cera), de Paul Leni.
Convictos de que o expressionismo era
apenas uma forma teatral aplicada ao filme, F. W. Murnau e Fritz Lang optaram
por novas vertentes, como a do Kammerspielfilm, ou realismo psicológico, e o
realismo social. Murnau estreou com o magistral Nosferatu, eine Symphonie des
Grauens (1922; Nosferatu, o vampiro) e destacou-se com o comovente Der letzte
Mann (1924; O último dos homens). Fritz Lang, prolífico, realizou o clássico
Die Nibelungen (Os Nibelungos), lenda germânica em duas partes; Siegfrieds Tod
(1923; A morte de Siegfried) e Kriemhildes Rache (1924; A vingança de Kremilde);
mas notabilizou-se com Metropolis (1926) e Spione (1927; Os espiões). Ambos
emigraram para os Estados Unidos e fizeram carreira em Hollywood.
Outro grande cineasta, Georg Wilhelm
Pabst, trocou o expressionismo pelo realismo social, em obras magníficas como
Die freudlose Gasse (1925; A rua das lágrimas), Die Büchse der Pandora (1928;
A caixa de Pandora) e Die Dreigroschenoper (1931; A ópera dos três vinténs).
O Filme: da Idéia
à Sala de Projeção
Os vários
passos em busca da melhor forma para contar uma história com imagens contribuíram
para a linguagem cinematográfica que temos hoje. Esta caminhada foi
gradativa. Cada passo seguinte dependeu do que fora feito anteriormente. A
tela do cinema é bidimensional. Mas a realidade é tridimensional, os objetos, pessoas e animais têm volume. Como
então mostrar isso na tela?

Câmeras mais leves, como essa que está na mão do personagem do filme Miramar,
de Júlio Bressane, passaram a permitir maior mobilidade às cenas.
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As primeiras câmeras
eram pesadas. Com o tempo, conseguiram fabricar câmeras mais leves e isso
facilitou o registro de pessoas, transportes, animais em movimento. Esse
movimento chama-se "travelling". Ele
permite maior mobilidade às cenas, deslocando a câmera para frente, para trás,
para a direita, para a esquerda, para cima e para baixo.
A panorâmica outro movimento importante, é diferente
do "travelling" porque a câmera não sai do lugar, fica presa
no tripé fazendo um movimento de 180 graus para a direita ou para a esquerda,
imitando o olhar quando giramos a cabeça. Quando você assistir a um
filme, repare: várias vezes ele começa com uma panorâmica, pois, com esse
movimento, o cineasta estará mostrando ao espectador o cenário onde vai
acontecer a história.

O roteiro de um filme muitas vezes é acompanhado de desenhos que indicam
como devem ser os planos. Estes desenhos são do roteiro do filme
Brincando nos campos do Senhor de Héctor Babenco.
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Mas para fazer um
filme é preciso pensar tudo isso antes de começar a filmagem. E preciso
planejar, para não desperdiçar o filme, que custa muito caro, e para não
gastar tempo demais
Um filme é feito em várias etapas. A primeira etapa é o roteiro
- história escrita na língua do cinema, com todos os seus termos técnicos - e
nele de - vem estar indicados todos os planos, pontos de
vista, enquadramentos, isto é: plano geral, plano médio, primeiro plano, etc,
movimentos de câmera (travelling e panorâmica), diálogos, ruídos, elementos
do cenário e figurinos.
Depois de tudo
filmado, ainda há muito trabalho para fazer. Começa a fase da montagem. A
montagem dá o ritmo do filme. Depois da filmagem,
onde as cenas são repetidas várias vezes, o filme é revelado. O
montador seleciona os planos melhores e faz a montagem.
Antes de filmar cada
plano, usa-se a claquete, e, baseando-se nas numerações
da claquete, é que o montador organiza a montagem.
Já em 1925 o
cineasta russo Serguei Eisenstein mostra de forma magistral os recursos da
montagem do filme O Encouraçado Potemkim. Som e imagens são registrados
em películas separadas.
O montador faz a mixagem e depois faz a
sonorização.
Dizem os
especialistas que as artes se distinguem pela sua linguagem. A linguagem só
existe a partir da repetição do uso e da aceitação de algumas formas que
demonstraram maior comunicação. Você, portanto, vai completar. Ela
depende de sua participação.
Quando o cineasta aproxima a câmera num primeiro plano (close) destacando
um objeto, este adquire maior importância dentro da história. Isto é
linguagem.
Mas, de um mesmo filme, eu posso ter uma interpretação e você outra. Nisso
está a riqueza de uma obra de arte.
Quando o cineasta e o espectador estão ligados pela mesma cultura, pelos mesmos
fatos sociais e econômicos, a participação poderá ser ainda maior.
Por exemplo, quando você assistir ao filme O menino maluquinho, de
Helvecio Ratton, baseado no livro de Ziraldo, você vai entender muito mais,
porque ele fala de um menino brasileiro.
Se você tiver lido o livro, melhor ainda, porque vai poder comparar os dois,
filme e livro, uma vez que cinema e literatura são linguagens que podem se
enriquecer mutuamente.
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